Quem Somos

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INSTITUTO SAPIENS BRASIL

 

O Instituto Sapiens Brasil é um centro de reflexão, estudo, ação e educação, formado pela experiência e compromisso de professores universitários, pesquisadores e cientistas, juristas e profissionais liberais, artistas e comunicadores, ativistas sociais e educadores populares, clérigos e leigos comprometidos com a Justiça, os direitos humanos e a liberdade. Um verdadeiro laboratório de ideias estratégicas, que mobiliza saberes e conhecimentos voltados à transformação e produzirá cursos, documentos e notas de acompanhamento da conjuntura, em articulação com movimentos e entidades pastorais da Igreja Católica (CNBB), Igrejas Cristãs (CONIC) e com religiosos (CRB), com movimentos sociais, sindicatos, associações de classe e partidos políticos.

Fundamentos

Ao longo de sua história, o Brasil perdeu várias oportunidades para se transformar em um país desenvolvido, democrático, soberano e justo. Situações que não o excluíram de vez do conjunto de países com capacidade para tal transformação em vista de uma natureza exuberante e rica e de um povo que manteve genética e culturalmente diversificado e miscigenado. Essas conclusões já foram resultado de estudos apresentados pelos Luiz Gonzaga Belluzzo e Darci Ribeiro, respectivamente[1].

Porém, nada justifica que este país se mantenha em um círculo vicioso que penaliza sua população a viver na maior desigualdade social e econômica do planeta (fora da África).

Atualmente, apesar de notórios avanços registrados na educação a partir de 2003, “metade da população brasileiros não atingiram o mínimo de proficiência que todos os jovens devem adquirir até o final do ensino médio”[2] , além disso “68,1% dos estudantes brasileiros estão no pior nível de proficiência em matemática e não possuem nível básico, considerado como o mínimo para o exercício pleno da cidadania. Mais de 40% dos jovens que se encontram no nível básico de conhecimento são incapazes de resolver questões simples e rotineiras. Apenas 0,1% dos 10.961 alunos participantes do Pisa apresentou nível máximo de proficiência na área”[3]. O mais grave é que, “relatório inédito do Banco Mundial estima que o Brasil vá demorar 260 anos para atingir o nível educacional de países desenvolvidos em Leitura e 75 anos em Matemática”[4].

Esse aparente “castigo” a que está submetido o Brasil (“subdesenvolvimento forçado”) encontra relação próxima com o sistema internacional de poder e com a lógica de dependência do sistema capitalista. Não é uma fatalidade, é consequência de um projeto de submissão. Sempre que o país aponta para caminhos que possam dar-lhe independência e produzir desenvolvimento autônomo, o poder político é submetido a contenções e uma elite fortemente vinculada a interesses externos assume o poder e estabelece formas de controle social autoritárias. 

Livrar-se dessa sina não é tarefa fácil, especialmente se a ignorância e o desconhecimento são armas fartamente usadas para amortecer a vontade popular. A história brasileira é rica em lições sobre a capacidade de seu povo em rebelar-se em de construir novos caminhos. Talvez por isso, seja tão escondida do povo. O Brasil é um dos países do mundo que mais esconde sua história, a ensina mal e com lapsos imperdoáveis. O ensino tem sido uma ferramenta de controle social das mais eficazes, não somente por sua metodologia vetusta, mas também por vincular-se a valores culturais e ideológicos dessas elites que pouco se interessam pelo desenvolvimento do país.

As expressões de racismo e controle que nasceram com a escravização dos indígenas e dos africanos transformados em mercadoria, que durante quase quatro séculos dominaram a paisagem social brasileira, estão presentes no dia-a-dia dos jovens negros assassinados aos montes nas grandes cidades, na exclusão das mulheres negras, ainda forçadas, em sua maioria, ao trabalho doméstico, na invisibilidade dos indígenas que surpreendentemente ainda existem depois de séculos de genocídio contumaz e sistemático.

Agora que o mundo em crise, enfrentando irreversível processo de aquecimento global, caminha para um capítulo dos mais trágicos do desenvolvimento capitalista, com a eliminação de grandes contingentes de postos de trabalho e com a introdução de modelos de produção fortemente baseados na robótica e sistemas de inteligência artificial substituindo boa parte dos postos de trabalho intelectual, o Brasil dá nova guinada neoliberal para voltar a ser um país dependente, exportador de matérias primas, formado por mão de obra pouco sofisticada e incapaz de gerar conhecimento científico e tecnológico.

Nesse momento, qualquer solavanco, por mais irracional que pareça, tende a provocar grandes. A recente guerra de preços e por mercado do petróleo protagonizada pela Arábia Saudita e Rússia, as maiores exportadoras mundiais, causou uma generalizada queda das bolsas de valores e uma rápida redução do preço do barril de petróleo. No começo do ano o petróleo custava em média 60 dólares o barril. Agora esse preço caiu para 20 dólares e depois subiu para 30 dólares. É bom lembrar que em maio de 2009 o barril do petróleo custava 140 dólares. Essa gangorra favorece grandes especuladores, faz parte da guerra comercial mundial, que em vários momentos vira guerra militar e invasão de países, em outros momentos essa guerra derruba governos, como no Brasil, e anexa economias subordinando todos os setores econômicos aos interesses dos países imperialistas. 

Outro exemplo do processo de crise e suas consequências está no relatório “Tendências Globais de Emprego para a Juventude 2020: tecnologia e o futuro dos empregos” apresentado pela Organização Internacional do Trabalho – OIT no início de março. Nesse retrato da juventude mundial, em 218, 267 milhões estavam sem emprego e sem estudo em todo o mundo. Os denominados jovens “nem-nem” representam uma sociedade que não lhes garante o básico nem no presente e nem boas perspectivas de futuro. O Brasil não está fora dessa tendência. Mas tal vez aqui esse quadro seja mais drástico, agravado pela redução de investimentos em educação, retirada de direitos dos jovens trabalhadores e redução de seus rendimentos.

O potencial de acreditar em sua própria capacidade de transformação é retirado do povo a todo instante, mantendo vasta parcela da população na extrema pobreza, outro contingente gigantesco no desemprego e na informalidade e preservando relações de trabalho precárias e de cidadania pretéritas que pouco incorporam de direitos sociais já consagrados nos países capitalistas desenvolvidos. 

Ferramentas de Mudança

Atualmente o descompromisso com a democracia, a justiça social e o desenvolvimento do país é tamanho que setores da alta hierarquia do Estado, unidos a parte das elites econômicas ultraconservadoras, com oficiais das Forças Armadas comprometidos com o antigo regime de exceção e com grupos econômicos estrangeiros, especialmente empreiteiras, petrolíferas e grandes financistas, estão desmontando o Estado brasileiro, suas instituições e comprometendo o futuro de grandes parcelas dos trabalhadores e da juventude. Tudo em troca de migalhas de poder e altos salários. 

Mesmo já tendo experimentado governos neoliberais, nunca se poderia imaginar que o país se guiaria por crenças terraplanistas e cristãs do medievo usurpadas por igrejas fundamentalistas movidas pelo dinheiro, que propõem novas Cruzadas e o extermínio como solução para problemas de emprego, saúde e educação. 

Enfrentar essa situação é dever ético e político de todas as pessoas que se opõem aos que difundem o ódio e se apoiam no terror. O futuro que temos que construir é outro, deve ser “livre do ódio, do rancor, do extremismo e do terrorismo, em que prevaleçam os valores da paz, do amor e da fraternidade.”[5] 

Temos ciência de que para que isso ocorra, devemos investir na construção e no fortalecimento de redes de cidadania a partir a) da criação de instrumentos de comunicação verdadeiros e críticos utilizando todos os meios de comunicação disponíveis e produzindo materiais e documentos que possam ser replicados facilmente, b) da construção processos educativos mobilizadores de consciências fortemente enraizados no ensino da história e da ética desenvolvendo e veiculando cursos a distância e elaborando materiais pedagógicos que possam ser utilizados de forma gratuita por redes e movimentos sociais, e c) da promoção da solidariedade como argamassa que une das comunidades e as pessoas, desenvolvendo ações diretas em parceria com outras entidades para a mobilização de pessoas em favor do bem comum.

Instituto Sapiens Brasil 

Para dar corpo a essa ação pela cidadania, criou-se o Instituto Sapiens Brasil, um organismo de reflexão, estudo, ação e educação, formado pela experiência e compromisso de professores universitários, pesquisadores e cientistas, juristas e profissionais liberais, artistas e comunicadores, ativistas sociais e educadores populares, clérigos e leigos comprometidos com a Justiça, os direitos humanos e a liberdade. Um verdadeiro laboratório de ideias estratégicas, que mobiliza saberes e conhecimentos voltados à transformação e produzirá cursos, documentos e notas de acompanhamento da conjuntura, em articulação com movimentos e entidades pastorais da Igreja Católica (CNBB), Igrejas Cristãs (CONIC) e com religiosos (CRB), com movimentos sociais, sindicatos, associações de classe e partidos políticos.

O Instituto Sapiens Brasil já tem um sítio na internet em permanente transformação, que reúne notícias e entrevistas para que sejam utilizadas em cursos e para a formação de um banco de dados a ser apropriado por movimentos sociais e participantes de nossas atividades, é formado também por uma biblioteca básica de textos e documentos para uso dos participantes dos cursos, por um banco de vídeos e filmes e outros instrumentos de caráter informativo e pedagógico a serviço da democracia. É um espaço de reflexão, debates e troca de experiências.

Esse sítio pode ser acessado por qualquer um dos endereços: www.politica.org.br, www.institutosapiensbrasil.org.br, www.institutosapiens.org.br.

Na Universidade Aberta, os cursos a distância estão em processo de produção e serão veiculados por meio da plataforma Moodle presente no sítio do Instituto Sapiens Brasil.

 O programa Ação pela Cidadania está em processo de organização e visará, em um primeiro momento, a atender pessoas em situação de rua (moradores de rua) do Distrito Federal, com atendimento às suas necessidades básicas e na montagem de uma rede de solidariedade que também envolverá a defesa de seus direitos e a proteção jurídica das pessoas.

Os vídeos, produzidos pelo Instituto Sapiens Brasil como meios de formação, educação, registros de debates e divulgação de ideias, serão veiculados no sítio próprio e nas plataformas YouTube e Vímeo (por exemplo: https://vimeo.com/showcase/6343994).

 

Conselho Diretor: Daniel Seidel, Francisco Botelho, Murilo Camargo, Olgamir Amância

Conselho Consultivo: Isaac Roitman, Celina Roitman, Carlos Moura, Samuel Pinheiro Guimarães, Marcelo Neves, Geniberto Paiva.

Núcleo Operacional: José Carlos Soares

Núcleo de Comunicação: Márcio Bueno, Celso Maldos, Laurez Cerqueira, Ivônio Barros

 

[1] Sobre a posição de Belluzzo, veja https://www.conversaafiada.com.br/politica/belluzzo-o-brasil-vendeu-a-industria-e-acabou-arruinado, e https://www.brasil247.com/economia/belluzzo-brasil-caiu-a-serie-b-da-economia-global-e-nunca-mais-voltou; e sobre Darci Ribeiro, ler O Povo Brasileiro - a Formação e o Sentido do Brasil, São Paulo: Editora Global, 2014.

 

[2] http://portal.inep.gov.br/artigo/-/asset_publisher/B4AQV9zFY7Bv/content/pisa-2018-revela-baixo-desempenho-escolar-em-leitura-matematica-e-ciencias-no-brasil/21206 (visitado em 5/2/2020)

 

[3] idem

 

[4] https://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,pais-so-deve-dominar-leitura-em-260-anos,70002206631

 

[5] https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2020-02/papa-francisco-documento-fraternidade-humana-mensagem-video.html