Os plásticos matam o planeta: os resíduos nos mares podem triplicar em 2040

Dezessete especialistas se reuniram para desenvolver um modelo de computador capaz de rastrear estoques e fluxos de plásticos em todo o mundo, e os números trazem um futuro devastador: os resíduos desses materiais que chegam aos mares, a cada ano, podem quase triplicar em 2040. Urge – dizem - intervir.

A reportagem é publicada por Público, 24-07-2020. A tradução é do Cepat.

Os pesquisadores pedem soluções integrais para “um mundo que se afoga na poluição plástica” e uma das medidas mais eficazes é aumentar a coleta de lixo com serviços e infraestrutura.

Assim, a cada ano, são despejadas em terra quase 30 milhões de toneladas e se queimam quase 50 milhões de toneladas a céu aberto, além dos 11 milhões de toneladas que acabam nos mares.

Os plásticos inundam os oceanos

No caso dos oceanos, os modelos preveem que se não forem tomadas medidas, a quantidade de plástico que entraria neles a cada ano aumentaria de 11 milhões de toneladas para 29 milhões de toneladas, nos próximos 20 anos, o que equivale a quase 50 quilos de plástico em cada metro de costa, em todo o mundo, observa em uma nota Pew Charitable Trust, que financia esse projeto.

Estes são alguns dos dados incluídos no relatório Breaking the Plastic Wave (Quebrando a onda de plásticos) que foi divulgado nesta quinta-feira, juntamente com um artigo publicado na Science.

De acordo com o modelo, se for levado em conta o período 2016-2040, mais de 1,3 bilhão de toneladas de plástico serão despejadas em terra e nos oceanos. Mesmo com esforços imediatos, os números dizem que 710 milhões de toneladas serão despejadas no meio ambiente: 460 milhões de toneladas na terra e 250 milhões de toneladas na água.

Costas Velis, da Universidade de Leeds, destaca que esta pesquisa fornece pela primeira vez uma visão completa das "impressionantes quantidades" de resíduos plásticos que são despejados em ecossistemas terrestres e aquáticos.

"A menos que o mundo aja, estimamos que mais de 1,3 bilhão de toneladas de poluição plástica acabarão na terra ou em cursos de água até 2040", afirma esse especialista.

Cerca de 95% das embalagens plásticas são usadas apenas uma vez e essa análise mostrou que a maior fonte de poluição por plásticos eram os resíduos sólidos urbanos não coletados, muitos procedentes dos domicílios.

Atualmente, cerca de um quarto de todo o lixo plástico não é coletado, deixando que os indivíduos os descartem. Até 2040, um terço de todo esse resíduo não será coletado.

2 bilhões não têm acesso a um serviço de coleta

Segundo dados da ONU, cerca de 2 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso a um serviço de coleta para esses resíduos e esse número pode aumentar para 4 bilhões em 2040, de acordo com pesquisa também liderada pela Universidade de Oxford e Systemiq.

O modelo mostra que cada tonelada adicional de plástico coletado reduz a poluição do ambiente aquático em 0,18 toneladas. A falta de um serviço formal de coleta levou ao crescimento de um sistema informal de recuperação desses resíduos: uma estimativa conservadora indica que existem pelo menos 11 milhões de coletores em todo o mundo que ganham a vida revirando materiais não coletados, buscando o que podem vender para reciclar.

Acredita-se que coletem cerca de 58% de todo o plástico reciclado no mundo, mais do que todas as autoridades juntas, mas suas condições de trabalho não são seguras.

Outra coisa que se constatou foi a enorme quantidade de plásticos que são queimados abertamente. Embora a queima reduza a quantidade de lixo que é lançada na terra e nos mares, gera fumaça potencialmente tóxica e contribui para a emissão de gases do efeito estufa.

Se nenhuma medida for tomada, a modelagem computacional estima que aproximadamente 2,5 bilhões de toneladas dessas sobras serão queimadas a céu aberto, entre 2016 e 2040, ou seja, mais do que o dobro da quantidade que se prevê despejar na terra e no meio aquático.

Esses números revelam a escalada de um problema causado pelos sistemas globais de gerenciamento de resíduos, "incapazes de enfrentar o crescente volume de resíduos plásticos", observam os autores.

Concluem que não existe uma única solução mágica, mas, sim, um conjunto que poderia reduzir o fluxo de plástico para os oceanos em 80% do nível projetado até 2040. É preciso, dizem, reduzir o crescimento da produção e do consumo para evitar quase um terço da geração de resíduos plásticos projetada, substituir o plástico por papel e materiais compostáveis e desenhar produtos e embalagens para reciclagem.

Além disso, ampliar as taxas de coleta desse lixo nos países de renda média/baixa até cerca de 90% nas áreas urbanas e cerca de 50% nas áreas rurais e apoiar o setor de coleta informal. O objetivo nos países de alta renda deveria ser diminuir seu consumo, melhorar o design dos produtos e a reciclagem, enquanto nas economias de renda baixa e média devem ser melhorados a coleta de resíduos e o investimento em triagem e reciclagem.

Essas intervenções reduzirão a poluição plástica nos mares, mas não a impedirão. Tentar obter uma poluição plástica quase zero exigiria avanços tecnológicos, novos modelos de negócios, gastos significativos e, o mais importante, inovação.

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fonte: http://www.ihu.unisinos.br/601301-os-plasticos-matam-o-planeta-os-residuos-nos-mares-podem-triplicar-em-2040


Quantidade de plástico nos oceanos pode aumentar quatro vezes até 2040

Até 2040, o volume de plásticos no mercado dobrará, o volume anual de plásticos que entra no oceano quase triplicará (de 11 milhões de toneladas em 2016 para 29 milhões de toneladas em 2040) e a quantidade de plástico nos oceanos quadruplicará (atingindo mais de 600 milhões de toneladas) caso não sejam tomadas medidas urgentes.

A reportagem é de Roberto Mattus, publicado por EcoDebate, 24-07-2020.

É o que revela o estudo Breaking the Plastic Wave, um dos mais completos e analiticamente robustos já publicados sobre plásticos no oceano, publicado hoje pela Pew Charitable Trusts e a SYSTEMIQ – junto com a Fundação Ellen MacArthurUniversidade de OxfordUniversidade de Leeds e Common Seas, seus parceiros de conhecimento. Para saber mais, o documento anexo descreve o posicionamento da Fundação Ellen MacArthur, incluindo as principais descobertas do estudo e um chamado à ação para a indústria e os atores públicos.

Em seu posicionamento, a Fundação Ellen MacArthur estabelece ações claras e urgentes, que incluem:

• Eliminar os plásticos dos quais não precisamos – não só removendo os canudos e sacolas, mas também ampliando modelos de entrega inovadores que levem os produtos aos clientes sem embalagem ou utilizando embalagens retornáveis e estabelecendo metas ambiciosas para reduzir o uso de plástico virgem. O uso de plásticos deve ser reduzido em quase 50% até 2040 em comparação ao cenário atual. Isso equivale a um crescimento líquido nulo no uso de plásticos para o período.

• Projetar todos os itens plásticos para que sejam reutilizáveisrecicláveis ou compostáveis. Também é crucial financiar a infraestrutura necessária a fim de ampliar a nossa capacidade de coletar e circular esses itens. No melhor cenário, isso demandará cerca de US? 30 bilhões em financiamento anual recorrente. Por isso, mecanismos que melhorem as condições econômicas da reciclagem e forneçam fluxos de financiamento recorrente estáveis com contribuições justas da indústria, tal como a Responsabilidade estendida do produtor (REP) ou outras iniciativas equivalentes lideradas pela indústria, deve ser implementadas globalmente com urgência.

• Inovar a uma velocidade e escala sem precedentes em direção a novos modelos de negócio, design de produtos, materiais, tecnologias e sistemas de coleta para acelerar a transição para uma economia circular. Se as indústrias do plástico e de gestão de resíduos intensificassem as suas atividades de pesquisa e desenvolvimento para alcançar um nível equivalente à da indústria de maquinário, por exemplo, isso criaria uma agenda de P&D de US? 100 bilhões até 2040 – quadruplicando seu investimento em P&D em comparação aos níveis atuais.

Em comparação com o cenário atual, a abordagem abrangente de economia circular descrita neste estudo tem o potencial de gerar uma economia anual de US$ 200 bilhões, reduzir em 25% as emissões de gases de efeito estufa e criar um saldo líquido de 700 mil empregos adicionais até 2040.

“O estudo Breaking the Plastic Wave traz um nível de detalhes sem precedentes sobre o sistema global de plásticos e confirma que, sem que haja uma mudança fundamental, até 2050 os oceanos podem conter mais plásticos do que peixes. Para combater o desperdício e a poluição por plástico, temos que intensificar os nossos esforços radicalmente e acelerar a transição para uma economia circular. Precisamos eliminar os plásticos dos quais não precisamos e reduzir significativamente o uso de plástico virgem. Precisamos inovar para criar novos materiais e modelos de reuso. E precisamos de melhor infraestrutura para garantir que todos os plásticos que nós usamos circulem na economia e nunca se tornem resíduo ou poluição. A questão não é se uma economia circular para o plástico é possível, mas sim o que faremos juntos para que se torne realidade”, afirma Ellen MacArthur, fundadora da Fundação Ellen MacArthur.

Para acessar o estudo "Breaking the Plastic Wave", na íntegra (em inglês) clique no aqui.

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fonte: http://www.ihu.unisinos.br/601298-quantidade-de-plastico-nos-oceanos-pode-aumentar-quatro-vezes-ate-2040

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