Brasil dos golpistas é onde o dólar mais aumentou, rumo aos 6,00

Desvalorização da moeda só beneficia grandes capitalistas e diminui o valor dos salários, que compram menos comida

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Real é uma das que mais desvalorizou em 2020 | Foto: Reprodução

O Real do Brasil é uma das moedas que mais perdeu valor durante o ano. Perdeu até agora somente para o Zâmbia e Suriname. Todo mundo lembra que o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse em março que o dólar só chegaria a R$ 5,00 se ele fizesse muita besteira. Agora está prestes a ultrapassar os R$ 6,00. (GGN, 31/10/20).

A moeda brasileira está se desvalorizando dia após dia, o dólar comercial fechou a sexta-feira valendo R$ 5,74, depois que o Banco Central fez um grande leilão da moeda norte-americana que já estava superando a marca de R$ 5,80. Outubro foi o terceiro mês consecutivo de alta da moeda americana e, consequentemente, de desvalorização da moeda brasileira (Brasil 247, 30/10/20). Desde o início do ano analistas de mercado de câmbio, que trabalham em brancos, apostam que o dólar pode chegar a R$ 6,00 no final do ano. Em si isso não significa muita coisa, o mais importante foi o processo de instabilidade da moeda ao longo do ano e tudo o que ela representa. Quase todos os preços nacionais estão atrelados ao dólar, desde alimentos até combustíveis. Só perde o salário do trabalhador, que não é atrelado a nada e tem caído ao longo do ano. O desemprego em massa e a crise ajudam os capitalistas a baixar os salários e aumentar a exploração dos trabalhadores.

Mesmo que o dólar chegue logo aos R$ 6,00 isso não baterá a marca de 2002 (governo FHC), descontando a inflação no período. Para superar aquela marca o dólar deveria chegar a R$ 10,00.

Apesar disso, é importante observar que neste ano o real já perdeu 28% de seu valor. Isso significa que os exportadores, com o mesmo nível de exportações, ganharam (sem fazer nada) mais 28% de receitas em reais. Isso na média. Pois há flutuações de preços em todos os produtos, alguns aumentaram mais que outros. O milho, por exemplo, que é a base para a ração de animais para abate, teve um aumento de 134,7% em receitas em dólar para os produtores, com um aumento de 130% em volume. Os principais importadores do milho brasileiro foram o Japão, a Coreia do Sul, a União Europeia, o Vietnã e Taiwan.

Os grandes "produtores" estão com os bolsos cheios de dinheiro. Mesmo que seus produtos sejam vendidos a preços mais baixos em dólar, eles ganham mais em reais. Os importadores ganham porque pagam menos em dólar por unidade de produto que importam, mas os exportadores brasileiros ganham mais. Parece que todo mundo ganha. Não é verdade. Há os que perdem muito. Os produtores nacionais de animais para abate, especialmente os pequenos e médios produtores, estão tendo que aumentar os seus produtos no mercado interno caso contrário vão amargar perdas grandes. Nos últimos dias a carne de porco, que andava mais barata que a carne de boi, subiu até 50% em várias cidades (UOL, 31/10/20). Os latifundiários do agronegócio lucram e o povo perde. A equação é essa. A comida está mais cara e está sendo servida cada vez menos na mesa dos trabalhadores.

Como tudo aumenta de preço, os salários perdem valor. Essa conta os trabalhadores aprendem na prática. Nos anos finais da ditadura militar chamava-se isso de carestia. E a luta contra a carestia foi o que estimulou os movimentos grevistas dos anos 1970 e 1980.

Entre as décadas de 1940 e 1990, em vários momentos, a política industrial brasileira valeu-se de alterações no câmbio para favorecer a industrialização, valorizando as exportações e encarecendo as importações. Esses processos foram chamados de substituição de importação. Depois disso, por vários motivos, desde acordos multilaterais e a sobreposição de outras políticas, o Brasil deixou de mexer no câmbio nesse sentido. Flutuações no câmbio como as observadas nos últimos anos refletem fragilidades internas e a crise econômica. O Brasil já não está se beneficiando da desvalorização cambial, o país está de desindustrializando, cada vez mais dependente do mercado externo e à mercê do capitalismo financeiro.

 

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